Da esquerda para a direita: Elisabetta Zenatti, vice-presidente de Conteúdo da Netflix no Brasil; Maria Dora Mourão, diretora-geral da Cinemateca Brasileira; Carlos Augusto Calil, presidente do Conselho da Cinemateca Brasileira; Joelma Gonzaga, secretária do Audiovisual; Mariana Polidorio, diretora de Políticas Públicas da Netflix no Brasil (Wesley Allen/Netflix)
Repórter de POP
Publicado em 2 de abril de 2025 às 09h42.
Última atualização em 2 de abril de 2025 às 09h47.
A Netflix anunciou nesta quarta-feira, 2, um patrocínio cultural no valor de R$ 5 milhões para a Cinemateca Brasileira, como parte do projeto de Restauração, Modernização e Ampliação do Complexo Arquitetônico da instituição. Está é a primeira vez que uma empresa privada faz parte da revitalização do local desde a reabertura em 2022.
A iniciativa, aprovada pelo PRONAC 235047, por meio da Lei Rouanet, também marca a primeira vez que a Netflix utiliza esse mecanismo de incentivo cultural para apoiar a cultura e o audiovisual no Brasil.
“A modernização da Sala Oscarito é um passo importante na revitalização da Cinemateca Brasileira. Esse esforço não só contribui para preservar nosso patrimônio audiovisual, mas também reposiciona a Cinemateca como um espaço de referência na exibição cinematográfica e audiovisual”, destacou Maria Dora Mourão, diretora-geral da Cinemateca Brasileira.
O investimento será aplicado sobretudo na reestruturação e modernização da Sala Oscarito, a primeira sala de projeção da atual sede da Cinemateca, inaugurada em 1997. As obras incluem adequações às legislações vigentes, melhorias nas instalações técnicas e modernização do sistema de climatização, visando garantir acessibilidade e adotar tecnologias que tornem o ambiente mais atual e eficiente.
Além da reforma da Sala Oscarito, o projeto de restauração da Cinemateca inclui ações como recuperação de alvenarias, climatização de espaços técnicos e áreas de pesquisa, implantação de paisagismo e melhorias na acessibilidade de diversas instalações. A Cinemateca projeta serem necessários quase R$ 30 milhões para a restauração completa.
"É uma alegria contribuir para a revitalização de um espaço tão importante para a história do cinema brasileiro. Preservar a memória audiovisual é fundamental para manter viva a cultura brasileira, garantindo que as futuras gerações conheçam e valorizem a riqueza de seu cinema", celebrou Elisabetta Zenatti, vice-presidente de Conteúdo da Netflix no Brasil.
Pessoas físicas também podem apoiar a iniciativa por meio do Programa de Amigos da Cinemateca.Cinemateca localizada na região da Vila Mariana em São Paulo (Wesley Allen/Netflix) (Wesley Allen/Netflix)/Netflix)
A Cinemateca Brasileira é o maior acervo de filmes da América do Sul. Membro pioneiro da Federação Internacional de Arquivo de Filmes – FIAF, sala tem sua origem no primeiro clube de cinema de São Paulo, criado em 1946. Em 1956, tornou-se Cinemateca Brasileira, sob o comando do seu idealizador, conservador-chefe e diretor Paulo Emílio Sales Gomes.
Em julho de 2021, um dos galpões da Cinemateca que não permite acesso do público, localizado na Vila Leopoldina, pegou fogo. Lá estavam guardados 1 milhão de documentos da antiga Embrafilme, que incluem roteiros, cópias de filmes, equipamentos únicos e arquivos em papel. Parte deles tinha mais de um século.
Na época, a Cinemateca era administrada pelo Governo Federal, que assumiu o controle da entidade em agosto de 2020, como plano de recuperação da cultura durante a pandemia. Em abril de 2021, trabalhadores da Cinemateca realizaram uma manifestação que visava conscientizar a situação de abandono da instituição.
Desde 2022, a instituição é gerida pela Sociedade Amigos da Cinemateca, entidade criada em 1962, e que recentemente foi qualificada como Organização Social. O acervo da Cinemateca Brasileira compreende mais de 60 mil títulos e um vasto acervo documental (textuais, fotográficos e iconográficos) sobre a produção, difusão, exibição, crítica e preservação cinematográfica, além de um patrimônio informacional online dos 120 anos da produção nacional.