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Israel bombardeia a Faixa de Gaza após novas ordens de evacuação no sul do território

Moradores do terriório deixaram a cidade de Khan Yunis, uma das mais povoadas, na segunda-feira

Crianças palestinas comem pão achatado em cima de um veículo carregado de pertences enquanto se preparam para fugir de Rafah, no sul da Faixa de Gaza, em direção a uma área mais segura, em 12 de maio de 2024, em meio ao conflito em curso entre Israel e o grupo militante Hamas (Divulgação/AFP)

Crianças palestinas comem pão achatado em cima de um veículo carregado de pertences enquanto se preparam para fugir de Rafah, no sul da Faixa de Gaza, em direção a uma área mais segura, em 12 de maio de 2024, em meio ao conflito em curso entre Israel e o grupo militante Hamas (Divulgação/AFP)

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Agência de notícias

Publicado em 2 de julho de 2024 às 11h17.

Última atualização em 2 de julho de 2024 às 11h27.

Israel bombardeou, nesta terça-feira, 2, a Faixa de Gaza, depois de emitir ordens de evacuação que obrigaram centenas de milhares de moradores a fugir de diversas áreas do sul do território palestino, devastado por quase nove meses guerra entre o Exército israelense e o movimento islamista Hamas.

Testemunhas e um correspondente da AFP relataram vários bombardeios durante a manhã em Khan Yunis e suas imediações, sul do território.

Oito pessoas morreram e mais de 30 ficaram feridas nos ataques israelenses em Khan Yunis e Rafah, segundo uma fonte médica e o Crescente Vermelho.

O Exército israelense anunciou que prossegue com as operações em um bairro da Cidade de Gaza, ao norte, em Rafah, e no centro do território, depois de ordenar na segunda-feira uma nova retirada de áreas do sul, de onde centenas de milhares de palestinos já fugiram dos combates há várias semanas.

A medida no sul da Faixa de Gaza afeta quase 250 mil pessoas, afirmou a Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA).

"Nós vimos pessoas em deslocamento, famílias em deslocamento, pessoas que começaram a empacotar os seus pertences e tentam abandonar esta área", disse a porta-voz da UNRWA, Louise Wateridge.

Combate difícil

Famílias de deslocados fugiram em meio às ruínas de Khan Yunis, a pé ou amontoadas em veículos, segundo correspondentes da AFP.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, reconheceu no domingo que o Exército trava um "combate difícil" na Faixa de Gaza, quase nove meses após o início da guerra desencadeada por um ataque sem precedentes do Hamas contra Israel em 7 de outubro.

Na data, milicianos islamistas mataram 1.195 pessoas, a maioria civis, e sequestraram 251 no sul de Israel, segundo um balanço da AFP baseado em dados oficiais israelenses.

O Exército israelense calcula que 116 pessoas permanecem em cativeiro em Gaza, 42 das quais teriam morrido.

Em resposta, Israel iniciou uma ofensiva que já deixou pelo menos 37.925 mortos, a maioria civis, em Gaza, segundo o Ministério da Saúde do governo do Hamas, que está no poder neste território desde 2007.

"Nos aproximamos do final da fase de eliminação do exército terrorista do Hamas", declarou Netanyahu na segunda-feira, depois de afirmar, há mais de uma semana, que a fase "intensa" da guerra estava prestes a terminar.

"Ouvimos Israel falar de uma redução significativa de suas operações na Faixa de Gaza. Isso ainda deve ser visto", reagiu o chefe da diplomacia dos Estados Unidos, Antony Blinken.
As negociações para obter um cessar-fogo, no entanto, seguem paralisadas.

Sem lugar para ficar

As tropas israelenses iniciaram uma operação terrestre no dia 7 de maio em Rafah, na fronteira com o Egito, com o objetivo de combater o que classificaram como o último grande reduto do Hamas, uma ofensiva que provocou a fuga de milhão de palestinos, segundo a ONU.

Os combates, no entanto, se tornaram ainda mais intensos nas últimas semanas em várias regiões que o Exército afirmava controlar, em particular no norte, à medida que a ofensiva continua em Rafah.

As novas ordens de evacuação em vários pontos do sul da Faixa de Gaza foram anunciadas horas depois do lançamento de uma série de foguetes contra Israel, reivindicado pela Jihad Islâmica, outro grupo armado palestino aliado do Hamas.

No norte, o Exército prosseguiu nesta terça-feira com as operações iniciadas em 27 de junho em Shujaiya, um bairro no leste da Cidade de Gaza onde afirma ter eliminado "vários terroristas".
Um correspondente da AFP observou novos bombardeios na área, assim como em Zeitoun, igualmente na Cidade de Gaza.

Entre 60.000 e 80.000 pessoas fugiram nos últimos dias do leste e nordeste da cidade, segundo a ONU.
"Fugimos de Shujaiya. A situação é muito difícil. Não temos nenhum lugar onde ficar. Procuramos água, mas não encontramos", contou um palestino que conseguiu refúgio na zona oeste da localidade.

Grave erro

A guerra provocou um deslocamento em larga escala da população e uma catástrofe humanitária no território palestino, onde água e alimentos são escassos. Milhares de crianças sofrem de desnutrição, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).
Na segunda-feira, Israel libertou dezenas de prisioneiros palestinos, incluindo o diretor do hospital Al Shifa da Cidade de Gaza, Mohamed Abu Salmiya, e eles foram levados para centros médicos da Faixa de Gaza.

Abu Salmiya denunciou ter sido submetido a "graves torturas" durante os sete meses de detenção.
Netanyahu afirmou que a liberação do diretor do hospital foi "um erro grave" e que o "lugar deste homem, sob cuja responsabilidade nossos reféns morreram e foram retidos, é na prisão".

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