Mundo

Grécia adota semana de 6 dias de trabalho por falta de mão de obra qualificada

Enquanto muitos países europeus estão discutindo jornadas semanais mais curtas, de quatro dias, governo grego quer combater escassez de profissionais obrigando os existentes a trabalhar mais

Primeiro-ministro grego, Kyriakos Mitsotakis, defende aumento da jornada de trabalho para seis dias (Yiannis Kourtoglou/AFP)

Primeiro-ministro grego, Kyriakos Mitsotakis, defende aumento da jornada de trabalho para seis dias (Yiannis Kourtoglou/AFP)

Agência o Globo
Agência o Globo

Agência de notícias

Publicado em 2 de julho de 2024 às 17h02.

Última atualização em 2 de julho de 2024 às 18h21.

Tudo sobreGrécia
Saiba mais

Trabalhadores na Grécia terão de trabalhar mais, com a entrada em vigor, na segunda-feira, da reforma legislativa que permite que mais empresas imponham a semana de trabalho de seis dias, com apenas uma folga semanal, a seus funcionários.

A medida vai na contramão de muitas empresas em muitos países que estão adotando a jornada de trabalho mais curta, de quatro dias, principalmente em economias da Europa, como Alemanha, Bélgica, França, Islândia e Reino Unido.

Devido à escassez de mão de obra qualificada no país, a iniciativa do governo conservador liderado pelo primeiro-ministro Kyriakos Mitsotakis tem como objetivo aumentar a produtividade e o emprego no país, que vê sua população envelhecer e diminuir.

Ele diz que a medida é necessária para favorecer o crescimento dos negócios e da economia, que se recupera desde a década passada da crise de sua dívida soberana, desencadeada em 2009. Desde aquela época, estima-se que a Grécia tenha perdido cerca de 500 mil jovens de alta escolaridade, que emigraram para escapar da crise econômica.

Mas a medida é fortemente criticada por sindicatos de trabalhadores. Algumas organizações ressaltaram que ela vai na contramão da tendência global e a classificaram de "bárbara". O principal argumento é o de que a reforma mina as proteções legais e retrocede os direitos dos trabalhadores estabelecidos em nome da flexibilidade.

Segundo a agência de estatísticas da UE, Eurostat, os gregos já trabalham as jornadas mais longas da Europa, com uma média de 41 horas por semana, embora pesquisas também tenham mostrado que eles recebem salários muito menores.

Segundo o governo, o esquema de seis dias se aplicará apenas a empresas privadas que prestam serviços 24 horas por dia, sete dias por semana. Nesses setores, compostos por indústrias e serviços selecionados que atuam em regime ininterrupto, aumentaria a jornada semanal de 40h para 48h. Os setores de turismo e serviços de alimentação foram excluídos da medida.

Os funcionários das empresas que adotarem a iniciativa terão a opção de trabalhar 2 horas adicionais por dia ou um turno extra de 8 horas, sendo recompensados com um adicional de 40% sobre o salário diário. De acordo com a Fortune, esse adicional sobre o salário normal pode chegar a 115% caso trabalhem num feriado.

O primeiro-ministro da Grécia, Kyriakos Mitsotakis, afirma que a iniciativa, que faz parte de um conjunto mais amplo de leis trabalhistas aprovadas no ano passado, tornou-se necessária devido aos perigos da diminuição da população e da escassez de trabalhadores qualificados. Ele acrescentou que a medida é ao mesmo tempo “amigável para os trabalhadores” e “profundamente orientada para o crescimento do país''.

Acompanhe tudo sobre:GréciaUnião Europeia

Mais de Mundo

Três pontos para prestar atenção na Convenção Republicana, que começa segunda

Argentina declara Hamas como 'organização terrorista internacional'

Para Rússia, mísseis dos EUA na Alemanha transforma capitais europeias em 'vítimas potenciais'

Esquerda francesa enfrenta impasse para nomear primeiro-ministro; entenda

Mais na Exame