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Eleições na Venezuela: campanha começa em meio a crise gerada pelo furacão Beryl

Fenômeno gerou danos em casas e ao menos duas mortes em cidade do norte do país

Enchente em Cumanacoa, na Venezuela, após passagem do furacão Beryl (Victor Gonzalez/AFP)

Enchente em Cumanacoa, na Venezuela, após passagem do furacão Beryl (Victor Gonzalez/AFP)

Rafael Balago
Rafael Balago

Repórter de macroeconomia

Publicado em 3 de julho de 2024 às 18h33.

A eleição na Venezuela entra na etapa de campanha oficial nesta quinta, 4. Embora os candidatos já estivessem fazendo alguns eventos e falando sobre a disputa há semanas, a partir de agora começa um período de grandes comícios e propaganda antes da votação, marcada para 28 de julho.

No entanto, o país foi atingido pela passagem do furacão Beryl, que ganhou força muito rápido e surpreendeu especialistas e gerou danos em várias partes do Caribe.

A região mais afetada da Venezuela foi Cumanacoa, cidade de cerca de 50 mil habitantes perto do litoral do país, onde um rio transbordou com as tempestades geradas pela passagem do furacão. A inundação matou ao menos duas pessoas e deixou outras cinco desaparecidas. Mais de 6.000 casas foram afetadas, segundo o governo do país.

Assim, na véspera do início da campanha, o presidente Nicolás Maduro apareceu em vários vídeos e reportagens anunciando medidas para ajudar os atingidos, como o envio de 2.600 funcionários e 240 toneladas de comida para a região.

Maduro inclusive nomeou o general Lockiby Belmonte como chefe de um órgão especial criado para coordenar a ajuda à região. O presidente prometeu que todo mundo que perdeu sua casa terá uma nova até 31 de dezembro, e que as zonas serão recuperadas em até 15 dias.

Os danos à região geraram críticas ao governo Maduro, pois Cumanacoa também foi atingida por tempestades em 2012, que deixaram 3 mortes. Na época, o então presidente Hugo Chávez, de quem Maduro era vice, prometeu medidas para evitar que a região voltasse a sofrer com enchentes e a reconstrução de moradias. Segundo o jornal El Nacional, no entanto, as promessas não foram cumpridas.

Atos de campanha na Venezuela

Nesta quinta, haverá grandes atos do governo e da oposição. O PSUV, partido de Maduro, fará duas marchas em Caracas, que terminarão no Palácio Miraflores, sede do governo.

Na etapa de campanha, o PSUV prevê realizar mais de 70 marchas pelo país, segundo o site TalCual.

A oposição, concentrada na PUD (Plataforma Unitária Democratica), também fará um evento na capital, chamado de Arranca Caracas, nesta quinta. Haverá vários outros eventos ao longo da campanha.

O principal nome da oposição é Edmundo González, que assumiu a candidatura após María Corina Machado, que havia vencido as primárias, mas teve sua candidatura impedida pela Justiça venezuelana.

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