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Candidato favorito nas eleições do Irã é um médico reformista; conheça Masoud Pezeshkian

Se nenhum candidato conseguir mais da metade dos votos, o Irã terá segundo turno na sexta-feira seguinte, 5 de julho

Mulher protesta em frente à faixa de apoio a Pezeshkian

Mulher protesta em frente à faixa de apoio a Pezeshkian

Publicado em 28 de junho de 2024 às 06h41.

Última atualização em 28 de junho de 2024 às 08h40.

O Irã se prepara para sua eleição presidencial nesta sexta-feira, 28. Ontem, dois candidatos ultraconservadores desistiram de concorrer. O prefeito de Teerã, Alireza Zakani, anunciou na rede social X que não disputará as eleições. Ele repetiu o movimento no pleito de 2021. Zakani disse que se retirou agora para “impedir a formação de um terceiro governo reformista”. Alguns minutos antes, o Ministério do Interior informou que Amir Hossein Ghazizadeh também havia desistido da campanha. Um dos vice-presidentes de Raisi e que havia concorrido às eleições de 2021, saiu da disputa, segundo ele, para “reforçar o front da revolução”.

A eleição presidencial iraniana foi antecipada em quase um ano em razão do acidente com helicóptero que matou o então presidente Ebrahim Raisi no mês passado.

Dos 80 candidatos aprovados inicialmente pelo Conselho dos Guardiões, apenas quatro seguem na disputa eleitoral no país persa.

As projeções indicam que o médico reformista Masoud Pezeshkian termine em primeiro com cerca de 30%, com Saeed Jalili e Mohammad Bagher Ghalibaf (ambos de linha conservadora) atrás com 18,8% e 16,8%, respectivamente.

Se nenhum candidato conseguir mais da metade dos votos, o Irã terá segundo turno na sexta-feira seguinte, 5 de julho. As duas últimas eleições nacionais — presidencial em 2021 e parlamentar em março — tiveram índices de comparecimento abaixo de 50%.

No Irã, o presidente tem poderes limitados e é responsável por aplicar as grandes linhas políticas definidas pelo líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, de 85 anos e que está no poder desde 1989.

Conheça mais sobre os quatro candidatos que seguem na disputa:

Masoud Pezeshkian

Único candidato moderado autorizado a concorrer, já foi ministro da Saúde e congressista de longa data que obteve o apoio de antigos presidentes e de outras figuras reformistas do país. Pezeshkian não era conhecido do público até 2001 e a formação do segundo gabinete do ex-presidente Mohammad Khatami.  Naquela época, notou-se que ele se diferenciava dos demais ministros na aparência e no comportamento pessoal, inclusive no estilo de não usar terno.

Numa reunião que destacou o seu espírito combativo, Massoud Pezeshkian, na qualidade de Ministro da Saúde, comentou: "Quando eu era estudante, dava uma bofetada no reitor da universidade. Quando me tornei reitor da universidade, dava uma bofetada no presidente. Agora que vou me tornar ministro, darei um tapa na cara de Clinton."

Esta declaração gerou inúmeras piadas entre os membros do parlamento. Ele enfrentou um processo de impeachment devido a problemas com nomeações, políticas sobre medicamentos, tarifas médicas e viagens ao exterior.

Mohammad Bagher Ghalibaf

Atual presidente conservador do Parlamento, foi prefeito de Teerã, chefe de polícia e comandante do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica. Ghalibaf acredita que uma aproximação com oOcidente só deve ocorrer caso haja a promessa de “benefícios econômicos”. Apesar de ter taxas de crescimento superiores a 3%, a economia iraniana encontra limites para avançar ainda mais - em boa parte por causa do elevado controle da Guarda Revolucionária sobre as atividades, dos altos níveis de corrupção e sanções internacionais.

Saeed Jalili

Membro da linha-dura do Conselho Supremo de Segurança Nacional, quer a presidência depois de inúmeras tentativas fracassadas, tal como Ghalibaf. Foi negociador-chefe de Teerã na ONU a respeito das questões nucleares. Jalili também aposta na aliança com China e Rússia, batendo de frente com os EUA.

Mostafa Pourmohammadi

Ex-ministro do Interior e da Justiça, é um acadêmico muçulmano conservador do aparelho de segurança. Ele não é considerado aliado dos demais conservadores devido a algumas de suas opiniões e disse saber que tem poucos votos e chances pequenas de vencer.

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