Economia

US$ 400 bilhões deixaram o Brasil de forma ilegal desde 1960

Só entre 2010 e 2012, mais de US$ 30 bilhões deixaram o país por ano de forma ilegal, de acordo com a Global Financial Integrity (GFI)


	Dinheiro saindo pela janela: fluxo ilegal responde por 68% da fuga total de capitais
 (Getty Images)

Dinheiro saindo pela janela: fluxo ilegal responde por 68% da fuga total de capitais (Getty Images)

João Pedro Caleiro

João Pedro Caleiro

Publicado em 7 de setembro de 2014 às 20h00.

São Paulo - Mais de 400 bilhões de dólares, o equivalente a quase 900 bilhões de reais, deixaram o Brasil de forma ilegal entre 1960 e 2012.

Os números são de um estudo que será apresentado amanhã no Rio de Janeiro pela Global Financial Integrity (GFI), uma organização de pesquisa e lobby com sede em Washington DC, com financiamento da Ford Foundation.

A metodologia usou 10 equações complexas que capturam a relação entre fundamentos econômicos, fluxos de capitais e a economia subterrânea.

Em dezembro, alguns resultados preliminares já colocavam o Brasil na 6ª posição entre os emergentes que mais sangraram dinheiro ilegal para fora entre 2002 e 2011.

No período mais longo agora analisado, a média anual de saídas ilícitas saltou de US$ 310 milhões nos anos 60 para US$ 14,7 bilhões na década passada e US$ 33,7 bilhões no período entre 2010 e 2012. Em média, o fluxo equivale a 1,5% do PIB do país.

92,7% do valor total saiu do país atrávés do super ou subfaturamento de transações comerciais e o restante através de saídas de capital especulativo, como transferências bancárias não registradas.

“As saídas ilícitas drenam capital da economia brasileira, facilitam a evasão fiscal, acentuam a desigualdade e corroem a poupança interna do país", diz Dev Kar, economista-chefe da GFI.

O fluxo ilegal foi responsável por 68% da fuga total de capitais, que somou US$ 590 bilhões entre 1960 e 2012.

Para amenizar o problema, a GFI recomenda uma reforma aduaneira para facilitar a identificação de sub e superfaturamento e transparência nos cadastros das empresas, além de uma maior troca de informações entre órgãos e países.

Economia subterrânea

O GFI também calculou o tamanho da economia subterrânea no Brasil - de 45,8% do PIB na década de 60 para 55,1% nos anos 70, com uma queda gradual até chegar em uma média de 21,8% entre 2010 e 2012.

Recentemente, a Fundação Getúlio Vargas (FGV) concluiu com uma metodologia própria que a economia subterrânea estava em queda mas ainda respondia por 16,2% do PIB brasileiro em 2013.

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