Isabella Securato: "Meu principal aprendizado foi que os LLMs (Large Language Models, ou Modelos de Linguagem de Grande Escala, um modelo de Inteligência Artificial treinado com grandes quantidades de dados para entender a linguagem humana) foram os tópicos que mais se destacaram" (Divulgação/Divulgação)
Redação Exame
Publicado em 27 de março de 2025 às 10h54.
Última atualização em 27 de março de 2025 às 10h54.
"O trabalho mudará mais entre 2020-2030 do que nos últimos 50 anos", como disse o futurista Rishad Tobaccowala. A ascensão da inteligência artificial e correções econômicas globais estão por vir. Nosso futuro não está chegando, ele já começou.
Na semana do carnaval, participei do South by Southwest (SXSW, ou South By, de forma abreviada), o maior evento de inovação do mundo, realizado na cidade de Austin. Eu queria conhecer um mundo pouco conhecido pela minha geração, com o propósito de abrir minha mente para as ideias sobre o futuro.
Fiquei encantada com a experiência; as apresentações variavam do futuro do trabalho com a inteligência artificial até técnicas de storytelling como ferramenta de marketing, com pessoas que impactaram o mundo de maneiras diferentes.
Meu principal aprendizado foi que os LLMs (Large Language Models, ou Modelos de Linguagem de Grande Escala, um modelo de Inteligência Artificial treinado com grandes quantidades de dados para entender a linguagem humana) foram os tópicos que mais se destacaram.
A IA será a nova grande revolução tecnológica: o surgimento de pequenos modelos de linguagem para tarefas otimizadas e agentes pessoais mudará nosso modo de viver, aprendendo nossos gostos e oferecendo serviços personalizados. Um aplicativo que se destacou foi um em colaboração com o artista will.i.am, chamado rAIdio, na fyi.ai, onde você consegue achar informações sobre a música que toca em um rádio personalizado, como quem é o baterista, quem escreveu a música, etc.
Além disso, perceberemos que, no local de trabalho, ela não nos substituirá, pois confiança e conexão humana são inestimáveis. Porém, a otimização será essencial; a IA não nos substituirá, mas as pessoas que souberem usá-la bem superarão aquelas que não o fazem. Para conseguirmos acompanhar essa revolução, precisaremos aprender a usar a IA corretamente, pois ela é poderosa, mas não lê mentes (e definitivamente não é humana).
Além de tech e inovação, tive a oportunidade de ver ídolos como Pedro Pascal e o elenco de "The Last Of Us", Issa Rae, Kevin Bacon e Jon Favreau, acompanhados de Robert Downey Jr., usarem várias técnicas para um propósito: storytelling.
O elenco da série da HBO descreveu como construiu uma atmosfera com relacionamentos positivos no set; Pedro Pascal e Bella Ramsey têm uma relação de pai e filha, que contribuiu para tornar as emoções da série mais reais. Jon Favreau e RDJ explicaram como a Disney usa a sinergia entre suas mídias e atrações físicas para criar mundos; a história não termina quando os créditos rolam — ela continua crescendo, evoluindo e nos engajando.
Individualmente, Issa Rae usa suas experiências como mulher negra para representá-las em suas obras, sendo comprometida em trazer criativos negros às telas. E, ultimamente, Kevin Bacon nos ensina que, se permanecermos curiosos e correremos riscos, manteremos nossas futuras experiências mais interessantes.
Um dos aspectos mais impressionantes do South By é o jeito como o ambiente propicia o networking. Todas as áreas ao redor do evento estimulam conversas entre as pessoas, como esperando nas longas filas dos eventos, onde os participantes podem discutir a palestra que irão ver, ou na fila do Starbucks dentro do hotel Hilton, onde todos esperam seu café usando os crachás do evento.
Ademais, o uso desses crachás fornece informações sobre o trabalho e a origem da pessoa, o que permite que as pessoas se conectem e encontrem pontos em comum, talvez até combinando de explorar a cidade de Austin e seus vários locais de entretenimento, como bares, shows de comédia, performances musicais e estreias de filmes, onde toda a área parece adaptar-se para a SXSW.
O evento permite que aspectos culturais, como a comédia e a música, floresçam, algo sem paralelo no Brasil. Artistas pequenos e internacionais têm oportunidades para encontrar seu público, se apresentando durante o dia inteiro em vários locais, como fora do centro de convenções e nos lobbies de hotéis.
Um exemplo foi Billie Eilish, a vencedora de nove Grammys e dois Oscars, com 104 milhões de ouvintes mensais no Spotify, que debutou e se apresentou na SXSW em 2017, 2018 e 2019. Eu tive a oportunidade de ouvir um set de 10 minutos da artista espanhola Las Cendejas, entre palestras, o que foi uma experiência calmante no meio do ambiente agitado das sessões.
Além de performances musicais, fui a shows de comédia imperdíveis. Vimos desde comediantes menores até mais conhecidos, como os do Gotham Comedy Club de Nova York; eles duraram cerca de uma hora e meia e tiveram quatro comediantes se apresentando, provocando risadas do público inteiro.
Enquanto isso, no pavilhão principal, empresas exibiam seus produtos para um público ávido por inovações. De marcas de “skincare” coreanas a dispositivos GPS portáteis para localizar amigos em festivais, não faltava opções.
As breves introduções e testes de produto ao público podem fazer com que as pessoas encontrem seu próximo dispositivo favorito do dia a dia. Um exemplo de produto que foi apresentado na SXSW foi o Twitter, onde ele realmente decolou.
No salão ao lado da Expo, na Flatstock, artistas do mundo inteiro mostravam sua arte, disponível para compra no formato de gravuras, adesivos, cartões postais e até camisetas! Interagi e conversei com vários artistas para obter uma visão maior sobre o mundo da arte de posters, e comprei vários produtos.
Um artista que se destacou para mim foi a Lucky Shot Mini Prints no Instagram, que tinha uma máquina de venda automática vintage que dispensava uma pequena impressão surpresa para você por um dólar e vinte e cinco centavos!
As ativações das marcas (experiências imersivas que engajam o público para promover seus produtos) também não têm paralelo no Brasil. Foi prazeroso ficar tão perto das marcas e dividir essa experiência com outras pessoas. Eu tive a sorte de participar de um concurso de gritos, feito pela Blumhouse (estúdio de “O Telefone Negro”, “Fragmentado” e “Five Nights at Freddy’s”); você entrava dentro de uma cabine e gritava o mais alto possível, e eles registravam o quão alto você gritou em decibéis.
Fora da cabine, havia uma tabela de classificação dos vencedores, mas eu infelizmente não consegui me classificar, pois gritei apenas a 90 decibéis e o vencedor alcançou 120. Não sei se me ouviriam em um filme de terror da Blumhouse! Além disso, a ativação da IBM foi uma experiência imperdível; um jogo intenso de tênis de mesa acompanhado por Inteligência Artificial, onde ele contava nossos pontos automaticamente e ao final da partida produzia uma conclusão parecendo de esporte profissional.
Usando uma câmera para registrar nossos movimentos físicos, ele comentou sobre nossos pontos mais sucedidos e as percas mais impactantes do jogo. Definitivamente foi uma experiência divertida mas intensa, porém ganhei a partida!
Tudo isso sem falar da cidade! Austin é uma das cidades que mais cresce nos EUA; desde 2000 até 2025, a cidade dobrou em número de habitantes de diversas origens, além do recente "tech boom", fazendo da cidade o ‘Silicon Valley do Texas’. Além disso, mudanças culturais abriram um mundo imersivo à música, e eventos como a South by Southwest e o festival Austin City Limits atraem vários públicos internacionais (especificamente os brasileiros!).
Os arranha-céus do downtown convivem com um parque maravilhoso, startups, big techs, jovens estudantes da University of Texas at Austin e outras faculdades renomadas, e milionários, oferecendo um mundo de oportunidades a todos que habitam a cidade.
Tudo isso sem falar da comida, que é maravilhosa! Fizemos apenas uma refeição por dia, pois estávamos concentrados na feira e não tínhamos tempo entre palestras para comer – comemos shakes de proteína e barrinhas de cereais para manter a fome sob controle. No final, isso contribuiu para o prazer das refeições que comemos depois, como no P.F. Chang’s, o chinês famoso mundialmente, no North Italia, onde aproveitamos um maravilhoso spicy rigatoni vodka, e no Zanzibar, um 'rooftop bar' com uma vista incrível e aperitivos deliciosos!
A refeição assinatura do Texas era definitivamente a carne; tive a sorte de experimentar o steak e o famoso brisket, uma carne solta e cheia de sabor, que definitivamente elevou a experiência culinária e é necessário experimentar quando visitar. Na minha opinião, o melhor ribeye que já comi foi em um restaurante chamado Perry’s, e no restaurante Quince Lakehouse, experimentei o brisket com uma deliciosa carne por cima!
Preciso voltar quando tiver mais de 21 anos de idade, pois fiquei de fora de várias baladas! A 6ª rua da cidade é repleta de bares e clubes de comédia, que também fazem parte da cultura da SXSW, mas infelizmente não pude entrar em nenhum, mesmo que eu não fosse consumir bebidas alcoólicas. Eles são bem rígidos com essa lei!
A South by Southwest, chamada de "ésse xis ésse dáblio" pelos brasileiros, é uma experiência única e obrigatória para pessoas de todas as idades. Ela combina tecnologia e inovação e mostra como o mundo mudará com a introdução da era da inteligência artificial em vários aspectos sociais, econômicos, globais e tecnológicos.
Além disso, oferece um enriquecimento cultural que não tem paralelo em nenhum outro lugar do mundo, abrindo a mente de todos para conceitos que você jamais imaginaria possíveis. Se depender de mim, nas próximas edições, haverá mais jovens como eu.