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Cosan mira em desalavancagem neste ano após prejuízo bilionário no 4º tri de 2024

Resultado foi impactado principalmente pelo impairment do investimento na Vale e por provisões tributárias

César H. S. Rezende
César H. S. Rezende

Repórter de agro e macroeconomia

Publicado em 27 de fevereiro de 2025 às 14h29.

Última atualização em 27 de fevereiro de 2025 às 14h32.

Desalavancagem é a palavra de ordem para a Cosan (CSAN3), empresa de solução logística, para 2025. Em call de resultados nesta quinta-feira, 27, o diretor financeiro companhia, Rodrigo Araújo, afirmou que a prioridade da empresa para este ano será a redução da alavancagem, mas sem a venda de ativos estratégicos.

O executivo destacou que a empresa tem trabalhado no alongamento do prazo médio da dívida e que novas movimentações financeiras devem ocorrer ao longo do ano para tornar a estrutura de capital mais sustentável — ele, no entanto, não detalhou quais seriam as movimentações.

Ao longo do ano de 2025, a nossa expectativa é continuar essa trajetória e estamos bastante focados em assegurar que consigamos executar outros movimentos importantes para fechar o ano com uma estrutura de capital mais equilibrada”, disse Araújo.

A necessidade de ajustes veio após um prejuízo líquido de R$ 9,3 bilhões no quarto trimestre de 2024, revertendo o lucro de R$ 2,4 bilhões no mesmo período de 2023. No acumulado de 2024, a companhia registrou perdas de R$ 9,4 bilhões, contra um lucro de R$ 1,1 bilhão no ano anterior.

O principal fator para o resultado negativo foi o impairment do investimento na Vale. Em janeiro deste ano, a Cosan vendeu sua participação de 4,05% na mineradora, justificando a decisão como parte da estratégia de otimização da estrutura de capital e fortalecimento da liquidez.

Além disso, a companhia registrou uma provisão contábil relacionada à expectativa de realização de Imposto de Renda e CSLL diferidos, ampliando o impacto negativo no balanço.

A empresa também informou que a divulgação das demonstrações financeiras auditadas de 2024 foi adiada para 10 de março de 2025, pois os trabalhos dos auditores independentes ainda não foram finalizados.

BTG recomenda compra

Apesar do cenário desafiador, analistas do BTG Pactual (do mesmo grupo controlador da EXAME) enxergam oportunidade nas ações da Cosan.

O banco manteve recomendação de compra para CSAN3, com preço-alvo de R$ 23, o que representa um potencial de valorização de 223%. Nesta tarde, os papéis da Cosan subiam 1,43%, cotados a R$ 7,10.

“Nossa recomendação continua na esperança de que o senso de urgência demonstrado recentemente prevaleça na agilidade para lidar com a estrutura de capital que a gestão inteligente da Cosan tem mostrado ao longo dos anos. Se estivermos certos, as ações da Cosan oferecem uma combinação poderosa de desalavancagem e redução do desconto”, destacou o relatório do BTG.

O banco reconhece os desafios da companhia, mas acredita que o mercado pode estar superestimando os riscos da holding. Para o BTG, a Cosan tem capacidade de desalavancagem e uma gestão eficiente, o que pode fortalecer sua estrutura financeira no médio prazo.

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